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junho 26, 2021

Como o extremismo pode causar a tragédia de uma nação

Um vídeo divulgado nas redes sociais mostra um jovem de 17 anos sendo expulso de um shopping da cidade de Caruaru, em Pernambuco, por usar uma suástica no braço. O símbolo faz apologia ao nazismo, ideologia associada ao ditador Adolf Hitler, responsável por uma das maiores tragédias registradas pela história. Mas afinal, o culto ao nazismo, seus símbolos e o ódio dessa ideologia não foram eliminados com o fim da 2ª Guerra Mundial? A resposta é negativa.

Aprendemos na escola sobre os horrores que a ascensão do nazismo e do fascismo causaram antes e durante a 2ª Guerra Mundial. Hitler, um dos ditadores mais sanguinários que o mundo já viu, orquestrou uma ideologia de assassinato em massa, racismo e desprezo pelas raças que considerava “inferiores”. O que deveria estar registrado somente em livros de história, continua a ser defendido ainda hoje por grupos de extrema-direita, partidos e líderes políticos em vários países. Não se trata apenas de uma ideia antiga, mas de uma convicção que deve ligar o sinal de alerta.

Em 2017, na cidade de Charlottesville, nos Estados Unidos, uma manifestação de um grupo extremista chocou o país e rapidamente tomou o noticiário pelas pautas que defendiam: ódio a imigrantes, negros e defesa do que chamavam de “supremacia branca”. O que deveria ser um ato deplorável ganhou defensores que consideraram como “liberdade de expressão”. Na verdade, não se trata exatamente de liberdade, mas de uma grave ameaça. E não se engane: aqui no Brasil os absurdos são semelhantes.

Embora não tenha as mesmas motivações dos americanos, a versão brasileira do extremismo é igualmente perigosa. A campanha presidencial de 2018 e a eleição de Bolsonaro mostraram o que um grupo de radicais de extrema-direita pode causar. Durante a campanha, uma das falas mais absurdas do então candidato foi “vamos fuzilar a petralhada do Acre”. Esse foi um gatilho para que os seguidores fiéis do presidente chegassem ao extremo de agredir eleitores do candidato oposto.

Você, caro leitor, deve se perguntar qual a relação entre os casos do início do texto e o Brasil. Eu explico didaticamente. A crença em “salvadores” e líderes fortes que prometem salvar a nação da crise foi um dos motivos que levaram ditadores ao poder. Supostamente ungidos por uma força divina, o apoio a esses políticos dá autorização para que eles promovam diversas atrocidades, sempre apoiadas pelos seguidores. E que atrocidades seriam essas? A recusa de ofertas de milhões de vacinas contra a Covid-19, a falta de protocolo e a negação de métodos científicos eficazes para conter um vírus levaram à morte de mais de meio milhão de brasileiros. E não para por aí. Ataques à imprensa, ofensas e agressões a quem ousa discordar do governo, sem falar das ameaças às instituições, são tipos de atitudes que se assemelham aos regimes totalitários que causaram a tragédia da Grande Guerra. Não estou dizendo que estamos à beira de um conflito como esse, mas é preciso ter a consciência que se a gente tolera esses atos hoje, estamos colocando em risco o que temos de mais precioso, que é nossa liberdade. E garanto a você que perdê-la é uma catástrofe sem tamanho. Permaneçamos, pois, alertas aos “mitos”.

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