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março 10, 2021

No que os neoliberais acreditam? (Parte 2)

Meu colega Colin Mortimer escreveu um excelente artigo algumas semanas atrás, chamado No que os Neoliberais acreditam?. É uma discussão sobre a visão política adotada pelos neoliberais modernos. Além de descrever as preferências políticas de muitos liberais - livre comércio, aumento da imigração, moradias mais densas e mais numerosas - há outras dimensões do liberalismo que também merecem discussão. As preferências políticas são apenas uma parte da filosofia política.

Nesta segunda edição, gostaria de expandir além das políticas específicas e falar sobre o que os neoliberais acreditam sobre a própria política. Quais são nossos principais valores políticos e filosóficos? Como os neoliberais abordam a política moderna? O que os neoliberais pensam sobre o cenário político atual?

Tal como com o ensaio original de Colin, este texto concentra-se principalmente na realidade dos Estados Unidos. Acredito que grande parte da análise seja válida para neoliberais em outros países, mas deixo isso para nossos amigos internacionais decidirem.

1. Os neoliberais são, antes de mais nada, liberais. Ser um neoliberal é fundamentar sua compreensão da filosofia política dentro da ampla tradição do liberalismo. Os neoliberais não precisam concordar com todos os conceitos de todos os filósofos liberais, mas aceitam que os princípios fundamentais do liberalismo político, como representação democrática, igualdade perante a lei, economia de mercado, sociedade aberta e liberdade de expressão, associação, imprensa, religião, etc., são fundamentais para a nossa sociedade.


2.Princípios fundamentais e instituições vêm antes da política. Reconhecemos e acreditamos fortemente no valor de instituições estáveis e inclusivas. Coisas como normas democráticas, estado de direito, direitos humanos, etc., são mais importantes do que vitórias políticas individuais. Os neoliberais não jogariam fora os princípios fundamentais do liberalismo ou degradariam nossas instituições inclusivas para obterem ganhos políticos de curto prazo.

3.O liberalismo é uma grande casa. Os neoliberais estão dispostos a trabalhar com todos os tipos de liberais - libertários, liberais conservadores, liberais clássicos, liberais convencionais, companheiros neoliberais, liberais progressistas, social-democratas, etc. Liberais progressistas e social-democratas podem obter informações valiosas ouvindo os liberais de inclinação mais libertária e, da mesma forma, os libertários podem aprender muito ouvindo os progressistas. O liberalismo tem muitas variações e trabalhar de modo inclusivo com todos esses grupos promove uma democracia próspera.

4. Os neoliberais são pragmáticos. Apesar de ter ideias políticas radicais em muitas áreas como habitação, imigração, comércio, etc., os neoliberais abraçam o progresso incremental em direção a esses objetivos. Os neoliberais são pragmáticos e aceitam a realidade política de que você não pode ter vitórias completas e instantâneas em muitas políticas. Os neoliberais sabem que ganhos incrementais se acumulam com o tempo e que muitas das mais importantes vitórias políticas levaram décadas para se concretizar.

5.A divisão política mais importante é entre liberais versus iliberais. Em eras passadas, a divisão política dos EUA existia em grande parte entre liberais: liberais conservadores lutrando com liberais progressistas, por exemplo. Hoje, as linhas de batalha mais importantes na política dos EUA são entre os liberais e aqueles que desejam derrubar o liberalismo. Embora existam diferenças importantes no espectro liberal, esses debates empalidecem em comparação com as diferenças entre os grupos políticos liberais e não liberais.

6.O iliberalismo* e o extremismo estão aumentando. Tanto na esquerda quanto na direita, há uma disposição cada vez maior de abandonar as normas liberais, degradar as instituições e se engajar em táticas iliberais. Na esquerda, isso acontece com um desejo de revolução, de socialismo de estado e do fim do livre mercado. À direita, toma a forma de um nacionalismo abertamente autoritário, beirando o fascismo.

*Nota do Tradutor: leia atentamente: i-liberalismo, ou seja, o anti-liberalismo.

7.O iliberalismo de direita é uma ameaça existencial. Embora o iliberalismo esteja crescendo tanto à esquerda quanto à direita, as situações não são da mesma magnitude. O autoritarismo de direita é agora a posição dominante dentro da política de direita e é uma ameaça existencial à democracia americana. Ameaça os fundamentos centrais de nossa república, e esse autoritarismo moralmente falido dominou quase completamente o Partido Republicano. Derrotar o iliberalismo de direita deve vir antes de praticamente qualquer outro objetivo político.

8.O liberalismo ainda é o melhor caminho a seguir. Os desafios políticos que enfrentamos hoje são diferentes dos desafios que enfrentamos em épocas anteriores, mas o liberalismo ainda é a melhor maneira de enfrentar esses desafios. A força do liberalismo vem de sua flexibilidade, sua capacidade de se adaptar para enfrentar desafios enormes. O liberalismo clássico foi uma revolta contra o poder injusto da nobreza proprietária de terras. O neoliberalismo do século 20 foi uma reação contra o fascismo crescente e o socialismo totalitário. O neoliberalismo do século 21 pode evoluir para se ajustar aos desafios que enfrentamos hoje - como as tensões da globalização, os perigos da mudança climática e o aumento da desigualdade - porque foi isso que o liberalismo sempre fez.

Autor: Jeremiah D Johns

Tradução: Fernando Moreno

Publicado originalmente em 02 de março de 2021 no blog Exponents, o blog do Neoliberal Project: https://exponents.substack.com/p/what-neoliberals-believe-part-2

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