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janeiro 27, 2021

Alguém realmente sabe o que é o socialismo?

Trump dizia que o socialismo nos destruiria. Biden precisava de eleitores que apoiam o socialismo (especialmente os eleitores de Bernie Sanders). A maioria dos millennials gostaria que o socialismo substituísse o capitalismo. Mas o que é o socialismo afinal? Trazemos os economistas para resolver as coisas e nos dizer o que os EUA podem aprender com as experiências boas (e ruins) de outros países (supostamente) socialistas.

Esse post foi traduzido do episódio 408 do podcast do Freakeconomics: Does Anyone Really Know What Socialism Is?, por Stephen J. Dubner e Matt Hickey. O artigo foi levemente adaptado para tornar mais clara a leitura.

Parte 1 - Introdução

Os Estados Unidos, como muitos países do mundo, parecem ter entrado em um período de amplo e profundo descontentamento. Muito deste descontentamento está relacionado a questões econômicas – algumas delas específicas, como a estagnação salarial e o aumento dos custos com saúde e ensino universitário. E outras são mais sistêmicas, como a desigualdade e o capitalismo clientelista (no original: crony capitalism). Este descontentamento cresceu e se tornou uma acusação a todo o nosso sistema político e econômico, com múltiplos círculos de eleitores nutrindo diversas reclamações - algumas sobrepostas, outras em profunda oposição. Não estou lhe dizendo nada aqui que você já não saiba.

Você também sabe que diferentes atores aproveitaram este descontentamento para tentar conduzir o país em direções diferentes. Talvez o mais bem-sucedido até hoje tenha sido Donald Trump, que em 2016 desafiou praticamente todas as previsões na Terra e ganhou a presidência dos Estados Unidos. Os democratas também tentaram conduzir esse descontentamento em sua direção –especialmente o senador de Vermont Bernie Sanders, há muito tempo registrado como independente (ou seja, filiado a nenhum partido como o democrata ou republicano), mas que foi por um tempo um dos principais candidatos à indicação presidencial do partido democrata.

Bernie SANDERS: Temos agora uma economia que está fundamentalmente quebrada e é grotescamente injusta. Os Estados Unidos devem escolher o caminho que eu chamo de socialismo democrático.

O apoio a Sanders veio principalmente de eleitores jovens e progressistas que pensam que o capitalismo deveria ser reformado ou, talvez, substituído inteiramente. A maioria dos millenials (Geração Y) americanos agora se identifica como socialista. E por que tantos deles gravitam em direção ao socialismo?

Por mais que Sanders abrace o rótulo socialista, ele compreende que sofre ataques por isso:

SANDERS: Entendo que eu e outros progressistas enfrentaremos ataques daqueles que usam a palavra "socialismo" como uma calúnia.

Donald TRUMP: Os socialistas têm feito na Venezuela todas as mesmas coisas que os socialistas têm feito em todos os lugares. Os resultados têm sido catastróficos.

SANDERS: Eu não estou olhando para a Venezuela. Estou olhando para países como a Dinamarca e a Suécia.

Sanders, é claro, perdeu a indicação presidencial democrata para Joe Biden. Mas Trump ainda achou útil tentar ligar os democratas ao socialismo.

Mike PENCE: Seja Joe Biden ou Bernie Sanders, eles estão defendendo uma agenda socialista.

Donald TRUMP: E agora Joe Biden e os radicais estão tentando impor o "socialismo mais" na América.

Joe BIDEN: Eu pareço um socialista radical? Sério?

Parte 2 – Bernie Sanders e seu socialismo democrático

Como uma palavrinha pode conter tanta polêmica assim? Se isso faz você se sentir melhor, todos nós também ficamos confusos.

Jeffrey SACHS: Eu pessoalmente não usaria a palavra socialista.

Se você quiser falar com alguém sobre política e economia; sobre a Venezuela e a Escandinávia; sobre o que é e o que não é o socialismo, há poucas pessoas melhores para conversar do que o economista Jeffrey Sachs.

Sachs é professor da Universidade de Columbia e diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Columbia. Também é conselheiro da ONU em diversas funções.

Sachs também aconselhou governos de todo o mundo, especialmente quando tentaram sair da pobreza ou, após a Guerra Fria, mudar do comunismo para uma economia de mercado.

SACHS: Tive a oportunidade de ver economias funcionando bem e funcionando mal em mais de 130 países ao redor do mundo e minha opinião é que os países que mais se aproximam do que procuramos para uma vida decente neste planeta são os países escandinavos - as democracias sociais do norte da Europa.

Por quê?

SACHS: O modelo de serviços públicos universais e de qualidade está no centro da democracia social. Isso significa saúde, educação e cuidado infantil desde a primeira infância até o nível universitário, para todos, o que permite um nível muito alto de participação da força de trabalho das mulheres, das mães com crianças pequenas.

Então, isso faz de Sachs um fã do "socialismo"?

SACHS: A primeira coisa que eu diria é que termos como "socialismo" são muito grandes, muito carregados, muito mal definidos para serem um ponto de partida útil.

Qual é um melhor ponto de partida?

SACHS: Há dois conceitos que eu acho que devem ser distinguidos no início de qualquer discussão sensata. Um é o conceito de uma economia mista, o que significa que uma economia que tem um sistema de mercado, incluindo propriedade privada e comércio, funções de mercado, oferta e demanda. Mas ela também tem governo – governo que pode administrar as escolas ou pode fornecer assistência médica ou a polícia e o corpo de bombeiros e assim por diante. Essa é uma economia mista.

Uma economia socialista, no uso tradicional dado em economia e na história política – embora seja um termo usado para todo tipo de coisas – geralmente significa uma economia organizada em torno da propriedade social, o que pode significar propriedade estatal, ou pode significar propriedade cooperativa, ou em alguns pontos de vista significou propriedade do trabalhador, ou em outras interpretações, propriedade dos cidadãos. Mas a ideia é que se trata de algum tipo de propriedade social dos meios de produção.

Quando falamos de uma economia nórdica – digamos, a Noruega. Se a escolhermos como uma democracia socialista, que componente dessa economia é socialista?

SACHS: Bem, as economias nórdicas não são democracias socialistas. Elas se autodenominam democracias sociais. Isso é uma diferença muito grande. Elas não se chamam socialistas, em geral, porque a maior parte da produção, a maior parte das empresas da economia, são privadas, propriedade de empresas. Mas o que eles fazem, o que é bem diferente dos Estados Unidos, é que eles coletam muito mais no total das receitas fiscais, e depois usam essas receitas adicionais para fornecer muito mais serviços públicos do que os Estados Unidos fornecem.

Assim, a nomenclatura de Sachs para os países nórdicos, ou escandinavos, é "democracias sociais com economias mistas".

SACHS: Agora, afirmo que todas as economias bem-sucedidas são economias mistas, e que há um importante conjunto de perguntas sobre onde as fronteiras entre governo e mercado devem ser traçadas.

E como você vê essas fronteiras nos Estados Unidos?

SACHS: Em minha opinião, os Estados Unidos traçam essa linha em um lugar inadequado: mercado demais, governo insuficiente.

E onde nos Estados Unidos Sachs gostaria de ver mais governo?

SACHS: No topo da lista seria o Medicare for All ou um sistema de saúde de um único pagador. E se alguém dissesse que "isso é socialista", eu lhe responderia que isso é exatamente o que foi dito no passado sobre o Medicare, e por que o Medicare enfrentou uma oposição tão vigorosa.

Você não irá se surpreender ao saber que Jeffrey Sachs apoiava Bernie Sanders. Ele foi inclusive um conselheiro da campanha de Sanders em 2016. Mas se você quiser um excelente exemplo da confusão em torno da palavra "socialismo", aqui vai um para você: Sachs diz que até mesmo Bernie Sanders está usando mal a palavra. Quando, por exemplo, Sanders fala sobre o caminho que os Estados Unidos precisam escolher:

SANDERS: E esse é o caminho que eu chamo de socialismo democrático.

SACHS: Parte dessa confusão tem raízes fascinantes nos diversos cismas e imbróglios da esquerda americana.. Sanders se autodenomina um socialista democrático. Isso tem explicações para no linguajar dos Estados Unidos nos anos 60, 70 e 80 na verdade. Mas, para mim, o que Bernie Sanders está falando é de uma social-democracia, que é o que vemos em funcionamento, não apenas nos países nórdicos, mas na Alemanha, nos Países Baixos, na maior parte da Europa Ocidental. Meu entendimento é: isso funciona, isso é bom, devemos fazer isso também.

A diferença entre uma "social-democracia" e um "socialismo democrático" talvez soe como uma questão terminológica boba para você, mas Sachs argumenta o contrário. Especialmente porque "socialismo" - em oposição a "social" - se tornou claramente um termo político.

SACHS: Agora, o termo "socialista" é usado frequentemente em sentido pejorativo para uma economia mista com mais governo do que os Estados Unidos tem. Em outras palavras, se Bernie Sanders diz: "Precisamos do Medicare para Todos", a resposta de Trump é: "Isso é socialismo como na Venezuela".

Então, já que tocou no assunto, como você chama a Venezuela?

SACHS: Oh, é uma típica bagunça populista latino-americana, que eu já vi por muitas décadas e me envolvi muitas vezes na tentativa de ajudar a arrumar depois.

Parte 3 - Venezuela

Ricardo Hausmann é um economista venezuelano que leciona na Kennedy School de Harvard.

Qual é o tamanho da confusão na Venezuela no momento?

Ricardo HAUSMANN: É realmente sem precedentes.

HAUSMANN: Na Grande Depressão dos Estados Unidos, o PIB caiu 28%. Na Venezuela, no final deste ano, o PIB terá caído 62%.

Falamos com Hausmann no outono de 2019, então ele estava falando sobre o final daquele ano.

HAUSMANN: Portanto, é algo de uma ordem de grandeza completamente diferente. No ano passado, tivemos uma inflação de 2 milhões por cento.

Junto com esta inflação, a Venezuela tem visto uma grave escassez de alimentos e remédios; é uma catástrofe humanitária total. O Presidente Trump e outros atribuíram esta catástrofe ao socialismo. E a Venezuela certamente parece encaixar na descrição de Jeff Sachs, onde os meios de produção são de propriedade do Estado. Isto se intensificou não muitos anos atrás:

HAUSMANN: Eles expropriavam coisas à esquerda e à direita - expropriaram mais de 10 milhões de acres de terra, expropriaram todo o setor siderúrgico, todo o setor de cimento, supermercados, fábricas de iogurte, fábricas de detergentes, bancos, telecomunicações, empresas de eletricidade, etc.

Um governo nacionalizando os meios de produção - isso soa muito parecido com a definição do socialismo do livro-texto. Também lembra o auge da ex-União Soviética, a mãe de todos os modelos socialistas. Mas Ricardo Hausmann não acha que o rótulo se encaixa na Venezuela.

HAUSMANN: "Socialismo" é um termo que é usado de forma muito ampla. Eu me referiria mais a sistemas econômicos tipo totalitários onde os direitos de propriedade são muito fracos.

HAUSMANN: Na Venezuela, por exemplo, você nunca sabe quando seus próprios bens podem ser tirados pelo governo. Há amplos controles de preços, controles de câmbio, controles de importação.

Devemos dizer aqui que Hausmann é um forte e vocal opositor do governo venezuelano que está atualmente no poder.

HAUSMANN: Você está constantemente tendo que pedir permissão para muitas, muitas coisas e estas permissões são uma oportunidade para extorquir dinheiro de você ou para chantageá-lo. Portanto, eu não gostaria de chamar isso pelo mesmo nome do que temos na Escandinávia.

Mas Hugo Chávez, o arquiteto do atual sistema político e econômico da Venezuela, chamou sua visão de "socialismo do século 21". Então, como a Venezuela chegou a este ponto? É uma história fascinante - e deprimente. Lembre-se, Jeff Sachs chama hoje a Venezuela de "típica bagunça populista latino-americana". Mas, durante décadas, a Venezuela foi um outlier. Entre 1920 e 1980, foi um dos países de crescimento mais rápido do mundo. A maior parte deste crescimento foi alimentada pela grande fortuna do país – ou pelo menos o que parecia ser uma boa fortuna: enormes depósitos de petróleo. A Venezuela começou a produzir petróleo já nos anos 1910 e logo se tornou o exportador nº 1 do mundo. Tornou-se muito dependente desta única indústria? Em retrospectiva, a resposta é sim, mas na época essa questão deve ter sido menos evidente. A Venezuela era um país em ascensão. E em 1958, tornou-se uma democracia numa época em que muitos países latino-americanos estavam se movendo na direção oposta.

HAUSMANN: Mas depois, digamos, de agosto de 81, a receita do petróleo começou a diminuir, a OPEP tentou proteger os preços cortando a produção, então nós estávamos cortando a produção. Em 1986, o preço entrou em colapso. Em certo sentido, tínhamos pedido empréstimos demais, gastado demais, administrado tudo muito mal e não havíamos nos preparado para um período de preços baixos do petróleo.

SACHS: Há décadas a Venezuela vive de um só recurso, que é como estar de pé sobre uma só perna, ou mesmo estar sobre um banco com uma só perna. É profundamente instável. Todo país que tem petróleo adora viver do aluguel deste recurso, mas isso não funciona.

A instabilidade econômica e política criou uma oportunidade para o homem que se tornaria o próximo líder da Venezuela.

HAUSMANN: Em fevereiro de 1992, Chávez organizou uma tentativa de golpe militar.

Na época, Ricardo Hausmann era Ministro do Planejamento da Venezuela.

HAUSMANN: Devo dizer - isso me pegou completamente de surpresa. Está completamente no reino do impensável.

Hausmann estava tentando ajudar a reformar a economia da Venezuela para torná-la menos dependente do petróleo. Hugo Chávez foi brevemente preso por sua tentativa de golpe. Mas o governo foi suficientemente desestabilizado, e logo perdeu o poder. As reformas de mercado de Hausmann foram abandonadas.

HAUSMANN: E estamos pagando um preço muito, muito alto por isso.

Chávez, um oficial militar de alto escalão, era carismático e popular. Em 1999, ele foi eleito presidente.

SACHS: Fui ver Hugo Chávez no início de sua presidência e ele me deu um grande abraço de urso e falamos sobre beisebol, que era sua verdadeira paixão. E depois conversamos sobre a economia venezuelana. E me senti muito bem com a reunião – suponho que seja por eu ter ouvido muito a mim mesmo falar - e fui para casa e então observei a próxima década onde Chávez e sua revolução fizeram completamente tudo ao contrário do que eu havia recomendado.

O que fizeram?

SACHS: Expliquei que o que se precisava fazer, é claro, era desfazer os erros de tentar viver de um recurso natural. E é preciso um conjunto normal de operações financeiras, uma reestruturação da dívida.

Mas ao invés de diversificar a economia venezuelana, Chávez nacionalizou-a. Lembre-se, como nos disse Hausmann:

HAUSMANN: Eles expropriaram todo o setor siderúrgico, todo o setor de cimento.

Por que o governo precisava confiscar todos esses bens?

HAUSMANN: Então, você tem uma economia que pouco além de petróleo que pode ser exportado. Agora, quando o petróleo cai, você precisa de mais dólares, mas não tem uma parte da economia que seja capaz de gerar esses dólares. Quando Chávez chegou ao poder, a Venezuela estava produzindo 3,4 milhões de barris de petróleo por dia. Quando ele morreu, estava produzindo algo como 2,5 milhões de barris de petróleo por dia. No mês passado, provavelmente estava produzindo 600.000 barris de petróleo por dia. Portanto, é preciso, de alguma forma, mudar para mais exportações não petrolíferas. E é muito, muito difícil porque, para se tornar bom em coisas nas quais você não era bom antes, você enfrenta um problema da galinha e do ovo. Não se consegue exportar porque não se sabe como fazê-lo. E você não sabe como fazê-lo porque não está naquele setor.

Hugo Chávez faleceu, no cargo, em 2013. Seu sucessor, Nicolás Maduro, manteve essencialmente o rumo de Chávez. Para o venezuelano médio, a economia passou de muito ruim a terrível. Ricardo Hausmann diz que o salário-mínimo é de cerca de US$ 2 por mês.

HAUSMANN: Em 2012, foi algo mais próximo a 400 dólares por mês. E então as pessoas dizem: "Bem, mas talvez um dólar compre muito na Venezuela". Então, em vez de medi-lo em dólares, nós o medimos em calorias. A caloria mais barata disponível neste momento é a yuca, e descobrimos que o salário mínimo compra 400 calorias de yuca por dia. Se você ficar na cama, você consumirá 2.000 calorias. Portanto, isto não alimenta nem mesmo a pessoa que vai trabalhar, muito menos sua família.

Em 2018, Maduro ganhou um segundo mandato como presidente da Venezuela. Agora, como é que o presidente de um país que fracassou tão mal ganha uma reeleição? Muitos observadores afirmaram que os resultados das eleições foram, digamos, irregulares. Os Estados Unidos e muitos outros países ocidentais rejeitaram o resultado. Entre os países que o aceitaram estão China, Cuba, Irã e Rússia. Portanto, mais do que alguns ecos da Guerra Fria e da batalha entre capitalismo e socialismo. A própria Assembleia Geral da Venezuela declarou que Maduro não era mais líder e instalou como presidente o jovem reformador Juan Guaidó. Mas isso foi apenas uma declaração. Maduro optou por permanecer no cargo. E os militares, por enquanto, estão do seu lado. Os Estados Unidos e outros países reconheceram a legitimidade de Guaidó, e têm tentado destituir Maduro. Isto deixou Guaidó em um limbo bastante precário. O economista de Harvard Ricardo Hausmann é um conselheiro do governo de Guaidó. O presidente Maduro chamou Hausmann de "assassino econômico". O que significa que Hausmann na prática não pode voltar à Venezuela.

HAUSMANN: Como dizem, o difícil não é voltar para a Venezuela, é sair depois. Meu cunhado passou três anos na cadeia por ser jornalista.

Parte 4 - Maldição dos recursos?

Então, pensemos na Venezuela: foi o socialismo, como praticado por Hugo Chávez e Nicolas Maduro, que levou o país à falência, como Donald Trump gosta de dizer? Ou foi a adesão à versão do socialismo de Chávez apenas uma tentativa tardia de se livrar de um problema subjacente - que era a má administração crônica de uma economia de um só recurso? Há um conceito famoso na economia, chamado de "maldição dos recursos". É quando um país aparentemente abençoado com recursos naturais valiosos acaba tendo resultados ruins porque não consegue diversificar sua economia. E essa é uma explicação bastante atraente para o que deu errado na Venezuela. Mas nem todos os economistas abraçam este tipo de explicação.

James ROBINSON: Não creio que tenha sido uma maldição dos recursos.

James Robinson, da Universidade de Chicago, é co-autor do livro Por que as Nações Fracassam.

ROBINSON: As consequências dos recursos naturais para o desenvolvimento de uma sociedade são completamente condicionadas por suas instituições.

Significado: os recursos naturais não têm que ser uma maldição. O argumento de Robinson, juntamente com seu co-autor Daron Acemoglu, é que o sucesso de um determinado país a longo prazo é ditado principalmente pela força de suas instituições: seus sistemas judiciário e legislativo; seu aparelho educacional e de saúde e de segurança social; uma economia justa e transparente; até mesmo sua cultura. Se você tem muito disso a seu favor, então o petróleo pode ser uma bênção. Basta perguntar à Noruega.

ROBINSON: A Noruega era um país bastante pobre em relação a muitas partes da Europa Ocidental quando descobriu o petróleo. Mas tinha instituições muito fortes. Não era corrupta. Eles foram capazes de pegar os recursos e usá-los no interesse dos noruegueses. O problema na Venezuela não é o petróleo, é o sistema político. O problema fundamental são as instituições.

Parte 5 - Noruega

SACHS: A Noruega é o exemplo de uma economia de hidrocarbonetos que não quer viver de seus hidrocarbonetos.

Este novamente é o economista Jeffrey Sachs.

SACHS: O que eles fazem, de fato, é economizar a maior parte dos ganhos com hidrocarbonetos, em vez de transformá-los em consumismo desenfreado. E é por isso que eles acumularam um trilhão de dólares em seu fundo soberano de riqueza para os quatro milhões de noruegueses, e eles vão viver muito bem no futuro, obrigado.

Kjell Salvanes é um desses quatro milhões. Ele é professor na Escola de Economia norueguesa.

A maior parte de sua pesquisa está relacionada à desigualdade de renda, a qual a Noruega não tem muito. A Noruega, como os outros países escandinavos, está entre os melhores do mundo em igualdade e - provavelmente não por acaso - em felicidade. O governo norueguês oferece uma grande cesta de benefícios universais, incluindo assistência médica, faculdade gratuita em universidades públicas, licença parental, assistência infantil, seguro desemprego, e muito mais. O que, para algumas pessoas, soa como "socialismo".

Kjell SALVANES: Então, também me deparei com este argumento: "Kjell, como é viver em uma sociedade socialista?" E então eu digo: "Do que você está falando?" Não pensamos dessa maneira.

Uma descrição mais apropriada, lembre-se, seria: uma social-democracia com uma economia mista.

SALVANES: Quero dizer, temos uma economia de livre mercado como você tem nos EUA. A parte importante é a combinação de, digamos, uma sociedade liberal, mercado livre e um estado social, você precisa de três coisas, e não é isso que as pessoas pensam do socialismo.

Então, ninguém na Noruega fala de socialismo?

SALVANES: Não, ninguém.

Como, então, um economista norueguês pensa sobre as economias nórdicas, se não é usando a ideia de socialismo?

SALVANES: Não é tão claro e ninguém pode dar uma definição precisa, mas significa que todo mundo recebe algo. Como eu disse, nós temos uma economia de livre mercado, o que significa que o bolo deve ser o maior possível. E então você tenta compartilhá-lo.

E como essa partilha é realizada?

SALVANES: Os impostos são uma parte importante.

Este é, naturalmente, um ponto importante, e um enorme diferencial de país para país. Os países nórdicos dependem da maioria das pessoas pagando impostos relativamente altos, que é como eles podem pagar benefícios tão generosos. A Noruega, além disso, tem aquele fundo soberano de trilhões de dólares, constituído pela venda de petróleo; a Suécia, só para que você saiba, não tem petróleo, e depende de uma economia mais diversificada e impostos relativamente altos. Em comparação, os EUA têm a maioria das pessoas pagando impostos relativamente baixos, o que deixa menos dinheiro disponível para os programas mais generosos que muitos democratas gostariam de ver. É por isso que Bernie Sanders, Elizabeth Warren e outros têm exigido muito mais dinheiro via impostos, mas principalmente dos muito ricos. Na Noruega, a carga tributária é compartilhada de forma mais equitativa. E então esses impostos são redistribuídos de forma agressiva.

SALVANES: Como você está realocando impostos, você também precisa confiar que eles estão sendo usados para algo útil. Portanto, acho que criar instituições que sejam confiáveis é provavelmente a coisa mais importante. Em um país nórdico, a confiança é extremamente alta.

Um exemplo desta alta confiança, ou pelo menos de menor fricção entre empregadores e empregados na Noruega, é a prevalência dos sindicatos de trabalhadores.

SALVANES: O setor público tem 90% de sindicalização. E no setor de manufatura, é como 50, 60 por cento. E no setor de serviços, é cerca de 30 por cento.

Nos Estados Unidos, entretanto, a indústria privada com a maior participação de trabalhadores sindicalizados é a indústria de serviços públicos - com pouco menos de 11%.

SALVANES: Portanto, os sindicatos ainda são fortes nos países nórdicos. Há uma espécie de salário-mínimo negociado que difere entre as indústrias e difere conforme a idade dos trabalhadores. Isso é extremamente bom para as pessoas na base da pirâmide.

Os economistas tendem a ter sentimentos mistos sobre os sindicatos, apontando suas ineficiências e inflexibilidades. James Robinson, que passou décadas pesquisando porque certos Estados e sociedades prosperam, chegou a um entendimento um pouco mais nuançado da questão.

ROBINSON: Você não pode pensar em sindicatos apenas de um ponto de vista econômico. Os sindicatos têm todo tipo de consequências políticas na sociedade que podem ser ainda mais importantes. As empresas americanas usam seu poder de mercado para rebaixar os salários, sabe? Os sindicatos podem desempenhar um papel poderoso em se contrapor a isso. Um economista poderia dizer: "Bem, deveríamos estar usando instrumentos fiscais - impostos, transferências - para redistribuir". Mas isso significa que o Estado tem que estar muito envolvido nesse processo.

Então, o que acontece se você estiver em uma sociedade onde o contrato social realmente não permite isso? Você tem que usar outros instrumentos. E eu acho que os escandinavos foram inteligentes – ao equalizar a distribuição de renda antes dos impostos o Estado na verdade tem que fazer muito menos. Isso poderia ser muito importante politicamente, especialmente em um lugar como os Estados Unidos, onde as pessoas são antagônicas com relação ao governo fazer mais coisas.

Em outras palavras, os sindicatos reduzem a necessidade de redistribuição governamental através de uma espécie de pré-distribuição que é negociada diretamente pelos empregadores e trabalhadores. Isto também tende a equalizar os resultados financeiros, criando uma menor brecha entre os que ganham mais e os que ganham menos.

SALVANES: Assim, em muitos países, incluindo os EUA e o Reino Unido especialmente, você tem visto um aumento na desigualdade. Se você voltar aos anos 30, você verá que a desigualdade de renda na Noruega era tão alta quanto nos EUA hoje. A Noruega hoje tem a metade dessa desigualdade. A desigualdade de renda diminuiu, mas também a mobilidade social aumentou. Se você olhar para o coorte nascido no início dos anos 30, verá que a mobilidade de renda era tão baixa quanto nos EUA de hoje. A posição de seus pais impactava muito em sua própria renda ou para sua posição e mais de 10, 15 coortes de nascimento depois, isto mudou completamente. Portanto, foi um desenvolvimento muito rápido.

Em sua pesquisa, Salvanes descobriu que na Noruega, a renda dos pais quase não tem efeito sobre a renda de seus filhos - um fato notável e incomum na maioria dos lugares do mundo. Mas isso não significa que o modelo econômico norueguês seja impecável. Uma tendência perturbadora, ligada à indústria petrolífera, é uma diminuição da demanda por educação.

SALVANES: E isto é o que você vê em todas as economias baseadas em recursos. É fácil conseguir um emprego, um bom emprego no setor petrolífero, sem qualquer educação. E isso é muito tentador. Entre as pessoas com quem cresci - eu sou do núcleo do setor da indústria petrolífera – isso foi muito comum. E você vê muito claramente nos dados que o investimento na educação é muito menor nessas áreas do país. E, claro, isso é bom porque tudo vai bem e há petróleo e gás suficiente. O problema é que, quando os poços secarem, será preciso se reestruturar para fazer outra coisa. E então você não tem uma base de capital humano para isso. E essa é a grande preocupação, eu acho. Outra preocupação é que enquanto a Noruega tem altos níveis de mobilidade de renda, a mobilidade educacional é quase inexistente.

SALVANES: Concluir uma faculdade e também ter um mestrado, e especialmente ir para uma escola de elite, digamos, para se tornar um advogado. Você vê que é extremamente desigual. Então, a formação dos pais significa muito neste aspecto.

Neste sentido, a Noruega está mais próxima dos Estados Unidos.

SALVANES: Muito semelhantes. Portanto, esse recrutamento para a elite é muito desigual.

E isso é importante porque o modelo nórdico requer um alto nível de confiança em suas instituições - e nas pessoas que as dirigem.

SALVANES: Então, para que uma elite confiável possa governar, ela precisa ser recrutada de diferentes partes da sociedade, sabe? Eles precisam de renovação e perspectivas diferentes e assim por diante.

Outro problema que a Noruega enfrenta - e é disso que muitos americanos têm medo quando se começa a falar de "socialismo" ou mesmo de "democracias sociais" - é que fortes benefícios universais, incluindo generosos pagamentos de desemprego, podem diminuir o incentivo para se trabalhar duro.

SALVANES: O governo no novo orçamento disse que vamos cortar parte do apoio, especialmente para os mais jovens. Se verificou que os jovens na faixa dos 20 anos de idade que recebiam um apoio, eram mais ou menos tão bem remunerados quanto as pessoas da mesma idade trabalhando. Portanto, essa é uma grande preocupação.

É uma preocupação não só para os indivíduos, mas para toda a sociedade, para toda a economia. Isto é algo em que James Robinson passou muito tempo pensando. Embora possa ser tentador para os EUA importar alguns elementos do modelo nórdico, quanto isso afetaria a fundação que fez dos EUA um motor tão incrível para a inovação?

ROBINSON: Após a crise financeira nos Estados Unidos, houve muita discussão sobre: "Oh, os Estados Unidos têm o modelo errado". Os Estados Unidos deveriam ser como a Suécia. Olhe para a Suécia. Deveria haver mais redistribuição". Apontamos que isso é uma espécie de falácia na teoria econômica.

Uma falácia porque - bem, os países diferem uns dos outros em muitas dimensões, não apenas em três ou quatro. Sim, a força de suas instituições e seu sistema tributário e de recursos naturais, mas também sua cultura, seu espírito. Os Estados Unidos, por exemplo:

ROBINSON: São uma sociedade muito mais corajosa. Por quê? Por que é assim? Bem, porque isso cria enormes incentivos para inovar e as pessoas são apenas muito ambiciosas e empreendedoras pois há muito menos seguro social e os riscos são muito altos. E isso não beneficia apenas os Estados Unidos, mas também a Suécia, porque toda essa tecnologia e inovação se espalha para todos no mundo. Você cria ideias. Essas ideias se espalham por toda parte. Assim, em algum sentido, os suecos podem ter esta sociedade redistributiva muito harmoniosa, porque eles tem os EUA fazendo o capitalismo selvagem. Portanto, os EUA estão meio que presos nisso, porque se você realmente fosse para um modelo com mais redistribuição, então toda a taxa mundial de crescimento econômico poderia diminuir.

Existem, é claro, contra-argumentos ao que Robinson está dizendo aqui. Aqui está um: depois de décadas de capitalismo de alta octanagem nos EUA e em outros lugares que deixou para trás muitas, muitas pessoas - e se o crescimento econômico não for tão importante quanto os economistas têm nos dito? Outro ponto: O argumento de Robinson é um argumento teórico; seria necessariamente verdade que o crescimento abrandaria se houvesse mais redistribuição nos Estados Unidos?

Aqui está algo a ser pensado. O economista Casey Mulligan, também da Universidade de Chicago, fez recentemente uma análise muito dura do impacto econômico da agenda de Bernie Sanders se ela fosse implementada exatamente como Sanders alegou durante sua campanha - uma suposição que faz disso mais um "exercício acadêmico" do que "uma previsão boa do que aconteceria", diz Mulligan. Ainda assim, a análise de Mulligan considerou as propostas de Sanders para o cuidado universal da saúde, "faculdade pública gratuita, cuidado infantil gratuito ... uma transformação completa do setor energético" e muito mais. O veredicto de Mulligan? "A agenda do Senador Sanders ... reduziria o PIB real e o consumo em 24%". Os salários reais cairiam mais de 50 por cento depois dos impostos. Emprego e horas de trabalho cairiam 16% em conjunto. Haveria menos assistência médica total, menos assistência infantil, menos energia disponível para as famílias e menos valor agregado no setor universitário. O mercado acionário provavelmente cairia mais de 50%". Agora, tenha em mente que previsões de qualquer tipo são quase impossíveis, e ainda mais com algo tão complicado e grande como a economia dos EUA. Tenha também em mente que Mulligan é um ex-membro do Conselho Econômico na Administração do Trump - portanto, faça disso o que quiser.

Mas se a questão de hoje é, como Jeffrey Sachs colocou anteriormente, onde em uma economia deveriam ser traçadas as fronteiras entre governo e mercado, se essa é a questão, o conselho mais sábio parece vir de James Robinson. Ele nos lembra repetidamente que o destino de uma nação é determinado por muitos fatores, alguns duros e outros mais suaves, onde sequer dois países estão qualquer coisa próximos de serem idênticos. Agora, por que isso importa? Bem, digamos que você queira aumentar substancialmente o papel do governo nos Estados Unidos, para que se pareça mais com aqueles que confiam nas sociedades nórdicas. Mas, como Robinson aponta, os Estados Unidos têm uma história muito diferente, baseada em parte em uma desconfiança coletiva em relação ao Estado.

ROBINSON: No tipo de contrato social, se você voltar para o final do século 18, penso eu, que criou este sistema federal com estes direitos e autonomias estaduais muito descentralizados e papel limitado para o estado federal, a forma como muitas coisas funcionam. Ele conta com a iniciativa privada.

Mas quão relevante é essa história? O quanto ela afeta nossa sociedade e economia modernas?

ROBINSON: Não é uma coisa desconectada. É parte de como os EUA têm mantido este equilíbrio entre o Estado e a sociedade, historicamente. Quando começamos a fazer pesquisas sobre estes temas, estávamos muito concentrados nas instituições políticas. Não entendemos bem o papel da sociedade e das instituições sociais.

O último livro de Robinson, também co-autor com Daron Acemoglu, é chamado O Corredor Estreito: Estados, Sociedades e o Destino da Liberdade.

ROBINSON: Enfatizamos este equilíbrio entre o Estado e a sociedade. E ter um equilíbrio entre o Estado e a sociedade não é apenas uma espécie de coisa estática que você consegue e depois se sente bem consigo mesmo e vai para casa. Não é apenas uma espécie de momento como a Constituição na Filadélfia - "Oh, nós alcançamos um equilíbrio". Não, não. É uma competição e uma luta constante entre o Estado e a sociedade.

E, em geral, os Estados Unidos têm se saído incrivelmente bem.

ROBINSON: Temos a tendência a ver todas as imperfeições nos Estados Unidos. Mas suponho que trabalhando na América Latina, tendo a olhar para a comparação o tempo todo nos últimos 200 anos, e o que se vê é que por todas as suas imperfeições, é claro, os EUA conseguiram resolver estes problemas muito mais efetivamente do que qualquer país latino-americano. E continua sendo este enorme motor de inovação.

Mas, diz Robinson, isso não é um apelo à complacência.

ROBINSON: Sim, os Estados Unidos conseguiram resolver muito bem uma série de problemas que os países latino-americanos não conseguiram resolver. Mas houve um custo para isso. O fato de ter Ferguson, Missouri, ou de termos o lado sul de Chicago, a incapacidade de lidar com esses problemas faz parte da arquitetura do estado. Portanto, em certo sentido, pode-se dizer que, bem, o estado americano é mais fraco que o estado norueguês ou o estado sueco, porque não se tem realmente problemas como esse na Noruega.

Se você quiser comparar as instituições estatais, acho que as instituições estatais na Suécia são capazes de lidar com problemas que as instituições estatais nos EUA não são capazes de lidar. Mas isso porque o Estado sueco não teve que lidar historicamente com tantos problemas e não teve que descobrir como colonizar este enorme território e como evitar uma espécie de tirania centralizada, como evitar a anarquia descentralizada e como encontrar um equilíbrio entre todas estas diferentes forças e interesses concorrentes. E isso só deixou lacunas.

As lacunas no Estado e na sociedade americanos são particularmente amplas no momento. Elas são evidentes no descontentamento geral que você sente neste momento neste país; elas são muito evidentes em nosso discurso político. E são evidentes no fato de que Donald Trump foi eleito como o maior outlier no campo Republicano, enquanto Bernie Sanders, o auto-declarado "socialista democrático", foi o maior outlier no campo Democrático de 2020. E o que isto diz sobre o nosso futuro? Há mais uma marca de Estados e sociedades de sucesso que James Robinson observou:

ROBINSON: Você tem que fazer concessões e construir coalizões e você tem que reconhecer e respeitar - "Ok, nós divergimos sobre isso, mas vamos concordar que isso é em benefício para a nação". No contexto dos EUA, quer eu ache isso uma coisa boa ou não, parece muito improvável que você consiga uma coalizão em torno da tributação dos ricos. Mas há outras coisas que você poderia fazer e que é consistente com toda esta noção do sonho americano, você sabe, por mais cafona que isso possa parecer. Quero dizer, minha própria opinião é que isso ainda ressoa com muita gente neste país. E você não pode negar isso.

Mas acho que há muitas maneiras de pensar sobre a redistribuição, que são consistentes com esta noção de que deveria haver igualdade de oportunidades. Por exemplo, olhe para a enorme desigualdade do sistema educacional. Por que as pessoas nos Estados Unidos não podem concordar que isso é um problema? Isto está minando um princípio fundamental da sociedade americana, e se você recuar 200 anos, isto é uma coisa que fez dos EUA o que eles são. Enormes investimentos em educação, que remontam ao início do século 19. Portanto, eu acho que há algumas questões nas quais poderíamos nos concentrar para conseguir formar uma coalizão política que seja consistente com algumas das coisas que consideramos fundamentais e nas quais esta sociedade deveria se basear.

FONTES

  • Jeffrey Sachs, professor de economia e diretor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Columbia.
  • Ricardo Hausmann, professor de economia da Harvard Kennedy School e diretor do Laboratório de Crescimento do Centro de Desenvolvimento Internacional de Harvard.
  • James Robinson, professor de economia e ciências políticas e diretor do Pearson Institute for the Study and Resolution of Global Conflicts na Universidade de Chicago.
  • Kjell Salvanes, professor da Escola Norueguesa de Economia.

EXTRA

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