Como o ajuste fiscal salvou os serviços públicos suecos do colapso

Poucos países gastam efetivamente menos do que arrecadam. Dentre os que conseguiram tal façanha em 2017 podemos citar, dentre outros, Alemanha, Hong Kong, Nova Zelândia, Noruega, Suíça e … Suécia.

Sim, o país que boa parte da esquerda brasileira adota como modelo de bem-estar e que libertários juram que vão quebrar por seu seguro social robusto é muito mais responsável fiscalmente do que a esmagadora maioria do mundo. Mesmo neste ano tão difícil o déficit será de “apenas” pouco mais de 5% do PIB. Nem sempre foi assim. Menos de 30 anos atrás o déficit sueco ultrapassou 10% do PIB. A inflação chegou a passar dos dois dígitos em alguns anos das décadas de 70 e 80. A Coroa Sueca perdeu 60% do seu valor nos no mesmo período. O que fez o governo sueco chefiado pelo social-democrata Ingvar Carlsson? Dentre outras ações, uma que é fundamental para a manutenção de serviços públicos “gratuitos” e de qualidade: a adoção de um regime fiscal rígido, que determinava um superávit fiscal de 1%, infinitamente mais pesado que o que no Brasil teve gente chamando de “PEC da Morte”. Tal meta foi, como diria uma certa ex-presidente “dobrada” e os suecos economizaram 2% do PIB na maior parte dos anos 2000.

Foi doloroso: Centenas de milhares de empregos de uma população relativamente pequena foram perdidos com o aperto do crédito e a adoção do câmbio flutuante. As reformas mais duras nos serviços sociais foram na previdência e o valor nominal das aposentadorias chegou a cair em alguns anos (isto é, você poderia receber 1000 em um ano e 900 no outro), algo impensável nas terras tupiniquins. Mas o governo seguiu fazendo seu trabalho apesar dos protestos e, com isto, também conseguiu manter boa parte de sua exemplar cobertura social, e permitiu que a economia sueca crescesse ainda mais que a dos seus vizinhos na maior parte do período subsequente.

O governo sueco gastou mais do que arrecadou em apenas 7 dos últimos 20 anos, mantendo sua dívida há mais de 15 anos com uma nota de crédito AAA, feito superado apenas por Suíça, Noruega, Singapura, Dinamarca e Canadá. O modelo sueco de bem-estar é evidentemente inaplicável no Brasil por n motivos. Mas mostra que social-democracia, seguro social e serviços estatais de qualidade não dependem apenas de vontade política e para serem sustentáveis necessitam de equilíbrio fiscal.

Fonte:

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/fields/224.html

https://www.government.se/49b737/contentassets/0ce7849e6b834f928eef1c795affe89e/an-account-of-fiscal-and-monetary-policy-in-the-1990s

https://www.tresor.economie.gouv.fr/Articles/8ff87be3-e406-4db3-b985-6da39ce8dbdc/files/20cf5f07-8478-48e2-8abc-26034abaa9c8

https://www.statista.com/statistics/375664/sweden-budget-balance-in-relation-to-gdp/

Assine a newsletter e receba os novos textos que publicarmos aqui por e-mail.