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setembro 29, 2020

A esquerda deveria ser mais Tabata Amaral e menos Ciro Gomes

Quando tentamos explicar à direita liberal sobre a necessidade do combate à desigualdade, é comum sermos respondidos com todo tipo de chavão batido. Chavões aliás que tem muito mais base ideológica do que empírica.

A ideologização cega do debate, no entanto, não é novidade, tão pouco invenção desta jovem direita liberal. Basta ver como a esquerda se juntou quase em uníssono para espalhar todo tipo de absurdo sobre a reforma da previdência.

Há, no entanto, alguns pontos fora da curva. Nomes como Felipe Rigonni e a sempre citada Tabata Amaral são gratas surpresas de um espectro político que parecia mais interessado em debater micro agressões e 67 tipos diferentes de gênero do que tratar da focalização do gasto público e do investimento na primeira infância.

Não sou, e provavelmente não serei, eleitor de qualquer um dos deputados, no entanto, é necessário reconhecer acertos. O debate público tem que ser qualificado em ambos os lados do espectro político. É assim que se debate política pública de maneira civilizada, com base em evidências e com a boa vontade de entender a contraparte, sabendo negociar e produzir consenso.

Infelizmente, esquerda e direita radicais não têm qualquer interesse em algo sequer próximo a isso. Aos extremos, às vozes escandalosas e ao discurso acalorado, pouco importam as evidências, importa a narrativa e o dissenso.

Nossa esquerda, apesar de defender o combate à desigualdade, não faz a menor ideia do que é a distribuição de renda do pais porque vive em bolhas de classe média alta em círculos universitários. Também não faz ideia de como funciona o gasto público e o que são restrições orçamentárias porque ainda lê os mesmos livros empoeirados que já foram a muito abandonados pelo debate acadêmico de ponta. Nossa esquerda é incapaz de contribuir com um debate honesto da política pública porque é refém das bolhas de atraso da academia brasileira, porque não tem qualquer contato com o que é o debate acadêmico internacional.

A deputada Tabata Amaral mostra a essa esquerda ignóbil e comprometida com o atraso o que é o debate sério e técnico. A deputada não é a representante em que eu votaria, não representa o que penso e defendo, no entanto, é a esquerda que eu quero ver no debate.

O debate público e a tradição progressista merecem coisa melhor que o terraplanismo econômico da esquerda que ainda não saiu da década de 60.

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